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The Cranberries
recomeça carreira com músicas que sobrevivem
há 20 anos na discografia
(Fonte:
UOL)







São 20 anos de banda,
sendo sete deles dentro de um intervalo que só
foi encerrado no final do ano passado. E são
nove anos sem lançar um disco novo. O Cranberries
de Dolores O'Riordan mostrou nesta sexta-feira(29/Janeiro/2010),
em São Paulo, que, se as circunstâncias
não são favoráveis para estreiar
uma turnê, as músicas que sobreviveram
do passado são razão suficiente para recomeçar
a carreira neste país onde nunca tocaram antes.
O show de retorno do Cranberries
funciona tão bem quanto aquelas coletâneas
de "melhores hits" que já lançaram
da banda --"Gold", de 2008, se aproxima mais
do repertório mostrado ao vivo. Isso quer dizer
que não há diferença entre assistir
a uma apresentação atual do Cranberries
e colocar o disco deles para tocar em casa. Certo? Certo.
E errado.
Certo porque Dolores executa
sem riscos os vocais. Sua voz aguda e seu timbre tão
peculiar soam como gravados em estúdio. A banda
formada por Fergal Patrick Lawler (bateria) e pelos
irmãos Noel (guitarra) e Mike Hogan (baixo) --além
do convidado Denny DeMarchi nos teclados-- segue o protocolo
com competência no palco e se mantém discreta
em gestos econômicos.
Errado porque a presença
de Dolores faz toda a diferença. A voz do Cranberries
se encaixa certeira no clichê que a qualifica
como carismática. A cantora, que já tocou
no Brasil em carreira solo, não abandonava as
pessoas que estavam no Credicard Hall para vê-la:
caminhava de um lado para o outro no palco, parava e
cantava para quem estava a sua frente.
Dolores reconhece o sucesso
de seu trabalho na voz das cerca de 6.000 pessoas que
esgotaram os ingressos deste show e cedia seu microfone
para que os fãs a ajudassem a amplificar seus
versos em "Linger" ou em "Animal Instinct".
E agradecia sorrindo ou mandando beijos a cada vez que
a multidão se entregava à sua música.
"Vocês estão tendo uma noite boa?",
preocupava-se.
O Cranberries não
tem música nova para mostrar. O último
disco lançado pela banda, "Wake Up and Smell
the Coffee", saiu em 2001. E mais de nove anos
depois as composições do grupo parecem
não envelhecer. Ou envelheceram com dignidade.
Da balada "When You're Gone" à engajada
"Salvation", que pôs a casa abaixo,
passando por "Ode To My Family", "Zombie"
e "I Can't Be With You", ainda fazem bonito
ao vivo.
Ao New York Times, no final
do ano passado, Dolores disse que pretendia fazer músicas
novas, mas foi cautelosa ao falar em um novo disco.
"Temos que ver o que vai acontecer quando nos reunirmos
e começarmos a tocar. Não há sentido
em lançar um álbum ruim", contou.
Ainda não dá para saber se desta reunião
sairá um novo bom trabalho, mas ao vivo parece
que a banda está pronta para ser o Cranberries
de novo. E, certa disso, Dolores garantiu: "nós
vamos voltar", ao encerrar o show com "Dreams".
Veja as músicas
que o Cranberries tocou em São Paulo:
"How"
"Animal Instinct"
"Linger"
"Ordinary Day"
"Wanted"
"You & Me"
"Dreaming My Dreams"
"When You're Gone"
"Daffodil Lament"
"I Can't Be With You"
"Pretty"
"Ode To My Family"
"Free To Decide"
"Waltzing"
"Switch Off the Moment"
"Salvation"
"Ridiculous Thoughts"
"Zombie"
Bis
"Empty"
"Promises"
"The Journey"
"Dreams"
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