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Com status de
banda de arena, Coldplay faz show memorável no
Rio de Janeiro
(Fonte:
UOL)




Um público estimado
em 34 mil pessoas foi à Praça
da Apoteose, no Rio de Janeiro, sob uma leve
garoa para assistir neste domingo (28/Fevereiro/2010)
a estreia da perna brasileira da “Viva La Vida
Tour”, do Coldplay. Na última sexta-feira
(26), o grupo se apresentou em Buenos Aires, e na terça
(2/Março/2010) volta a tocar em São Paulo,
no Estádio do Morumbi. Em uma 1h45 de show, 24
músicas foram apresentadas, incluindo praticamente
a íntegra do álbum “Viva La Vida
or Death And All His Friends” e do EP “Prospekt’s
March”, ambos lançados em 2008.
O espetáculo é
roteirizado com início, meio e fim, não
só no encaixe das músicas no repertório
--quase padronizado nos 26 países por onde passou--,
mas em detalhes que ultrapassam a esfera musical. Tanto
o figurino usado pelos músicos quanto cada instrumento
--além do bumbo da bateria, guitarras, baixo
e piano--, tudo é customizado com as pinceladas
coloridas criadas a partir do material gráfico
do disco, cuja capa é inspirada na obra do artista
francês Eugène Delacroix.
Foi a mesma imagem que
apareceu no telão ao fundo do palco, quando o
show iniciou com "Life In Technicolor", primeira
faixa do CD mais recente. Não é um single
de sucesso do grupo, mas mostra que o show é
planejado para ter períodos distintos com alternâncias
em momentos mais calmos e outros mais agitados, como
bem reza a cartilha do indie rock onde o Coldplay fez
seu berço.
Antes de "Clocks",
uma das faixas mais antigas, o Chris Martin começou
a gastar o português que aprendeu nas outras duas
oportunidades em que esteve no Brasil. "Muito obrigado.
Boa noite", disse, antes de ser aplaudido. A música
usa o simples e eficiente recurso do raio laser disparado
do centro do palco sobre o público, como aconteceu
no show de 2003.
Poucas pessoas pareciam
tão felizes quanto o próprio vocalista:
sai o tímido e cabisbaixo líder da banda
underground e entra o frontman que comanda multidões.
Receptivo, ele recolheu uma bandeira do Brasil e um
ursinho de pelúcia com o uniforme da seleção
brasileira de futebol lançados ao palco. Na primeira
vez que desceu em uma das duas rampas que conduzia ao
meio do público, em “In My Place”,
Martin não se conteve ao ver o público
cantando. "É inacreditável",
disse.
O grupo fez um mini set
acústico, com destaque para a bateria digital
de Will Champion e os solos de piano do próprio
Chris. Do outro lado, num praticável montado
no fosso que separava a pista vip da comum, o grupo
complementou a parte desplugada com a inédita
"Don Quixote". No entanto, substituiu "Billie
Jean", que homenageou Michael Jackson no show em
Buenos Aires, por "Shiver", que não
tocava ao vivo há mais de um ano.
O clássico "Yellow"
fez aparecer dezenas de balões amarelos sobre
o público, que, ao serem estourados, despejavam
papel picado. A imagem da multidão, feita por
uma câmera posicionada às costas da banda,
proporcionou o primeiro momento de grande emoção
da noite. Provocador, Chris Martin pedia que o último
verso fosse repetido tão alto a ponto de ser
escutado em São Paulo.
Se musicalmente o Coldplay
persegue o posto do U2, ao vivo, hoje se trata de uma
grande banda de arena, que toca com um surpreendente
peso, imposto pela pegada de Champion e pela cancha
que o grupo tem adquirido na estrada ao longo desses
anos --esta turnê já entra no terceiro
ano seguido. É o que se percebe na ótima
"Glass Of Water", na tribal e pesada "Politik"
e em "Fix You". As melodias colantes da guitarra
de Jon Buckland e o baixo discreto, mas firme, de Guy
Berryman sustentam uma bela base na maior parte do tempo.
O diálogo resultante tem pegada de arrepiar.
O outro grande momento
da noite aconteceu entre os dois set acústicos,
em "Viva La Vida", com tambores gigantes fazendo
as vezes da bateria. As luzes foram acessas e o público
voltou a ser mostrado no telão, cantando a melodia
da música num fade emocionante. Em "Lost!",
enormes balões no alto do palco, feito lâmpadas,
foram a ser "acesos" com projeções
de imagens do show. Outro recurso simples de efeito
convincente.
O primeiro bis começou
a criar o clima para a despedida, e trouxe "Lovers
In Japan" com o soprar de papel picado em forma
de borboletas sobre o público. "Life In
Technicolor 2" encerrou o show do jeito que ele
começou, como no fechamento de um ciclo. A diferença
é que o público, que participou cantando
o tempo todo, piscando celulares a pedido de Chris Martin,
agora olhava boquiaberto para o foguetório disparado
por detrás do palco. Imagem que melhor traduz
uma noite memorável.
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